sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

patrimônio histórico XIV

Chafariz da Carioca em Vila Boa

O chafariz do largo da Carioca foi a primeira fonte pública de abastecimento de água construída em Vila Boa, ainda no início de sua implantação como centro minerador.
Inicialmente denominada Fonte da Cambaúba, a Carioca atendia basicamente aos moradores da margem direita do rio Vermelho, conhecida nos documentos antigos como Rosário, em alusão à primeira igreja construída nessa parte da cidade, pertencente à Irmandade dos Homens Pretos.
Construída em alvenaria de pedra, essa fonte se encontra em um amplo espaço aberto, entre o rio Vermelho e a antiga entrada da cidade, para os que vinham de São Paulo pelo caminho real, passando por Meia Ponte, Ouro Fino e Ferreiro, com destino a Cuiabá. Esse local bastante procurado pelos banhistas é conhecido como poço do Bispo, por estar próximo a uma chácara de propriedade da Diocese de Goiás.

o chafariz em foto da década de 1930 (foto de Alois Feichtenberger) tendo ao fundo a casa de luz e força, já demolida.

Com sua estrutura praticamente enterrada no solo, esse chafariz possuía originalmente um dos lados abertos, ligado diretamente ao rio. Entretanto, em decorrência dos alagamentos provocados pelos períodos chuvosos, essa ligação foi desfeita com a construção de uma quarta parede, também em alvenaria de pedra, como as demais. O acesso às bicas é feito através de uma escada frontal, também em pedra.
Devido à escassez de registros e documentos, grande parte das informações sobre essa fonte é marcada por lendas, comuns nas versões orais da história.
O fornecimento de água foi, há algumas décadas, interrompido em decorrência dos aterros para a construção de uma rodovia. Entretanto, na última restauração realizada na década de 1980, pela Prefeitura, com apoio do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – esse fornecimento foi restabelecido, voltando a fonte a ser um dos pontos de referência ao turismo, tanto pela fonte em si como pelas lendas que a cercam.

desenho do chafariz, feito em 1828 por W. J. Burchell

Ainda com relação a essa obra de restauro, foram, por essa época recuperados vários detalhes construtivos e mesmo decorativos, descobertos a partir de prospecções realizadas. Esse trabalho teve por base os desenhos feitos pelo botânico inglês William John Burchell, que, por volta de 1828 passou por Goiás, quando de sua viagem do Rio de Janeiro a Belém, no Pará.
Atualmente a fonte está cercada por um complexo de lazer implantado pela Prefeitura, que engloba o rio, como local de banho, e tratamento especial de ajardinamento em seu entorno. A proteção desse monumento é feita

na esfera federal:
através do processo 345-T-42, com
inscrição 73, no Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, à folha 17;
inscrição 463, no Livro Histórico, à folha 78;
inscrição 529, no Livro das Belas Artes, à folha 97,
com data de 18 de setembro de 1978;

na esfera estadual:
é protegido pela Lei nº 8.915, de 13 de outubro de 1980.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

autoria de foto

No dia 8 de novembro, foi publicado nesse blog, um conjunto de fotos antigas do centro de Goiânia, com o título de fotos antigas do centro cívico de Goiânia e, como a maioria das fotos apresentadas com esse marcador (fotos antigas) é formada por material cedido por amigos e alunos, algumas delas nos chegam sem o registro de autoria. Uma dessas fotos, apresentada no dia 8/11 é de autoria do fotógrafo Hélio de Oliveira, responsável pelo maior acervo fotográfico (35.000 fotos) relacionado com a história de Goiânia. Gostaríamos de pedir aqui, desculpas pela falta da referência, informando ainda que, o acervo de Hélio de Oliveira pode ser visto em http://www.heliodeoliveira.com.br/

Roos expõe no Beco das Artes

A partir dessa segunda-feira, dia 21 de dezembro, a galeria Beco das Artes está com uma exposição do artista Roos de Oliveira, um dos principais nomes das artes plásticas em Goiás.
Nascido na cidade de Ipameri, estado de Goiás, a 25 de abril de 1947, Roosevelt de Oliveira Lourenço transferiu-se para Goiânia ainda criança, onde vive até hoje. Em meados da década de 1960, iniciou seus estudos em artes plásticas com D.J. Oliveira, pintor, gravurista e um dos precursores da arte moderna em Goiás, juntamente com Frei Confaloni.
Atuante nas artes plásticas em Goiás, desde a década de 1970, tem participado de inúmeros eventos e exposições, além de trabalhos na área de propaganda.
Ao longo do tempo, Roos fez várias exposições individuais, além de participação em coletivas, recebeu prêmios e organizou albuns de gravuras em metal.

das exposições individuais, destacam-se:

1980 – Arte Antiga Galeria – Goiânia/GO
1983 – Arte Antiga Galeria – Goiânia/GO
1985 – Galeria Contemporânea – Brasília/DF
1987 – Crhoma Galeria de Arte – São Paulo/SP
1988 – Felix Galeria – Goiânia/GO
1990 – Galeria Casa Grande – Goiânia/GO
1993 – “Na intimidade do ateliê” – Galeria Casa Grande – Goiânia/GO
1995 – “30 anos de pintura” – Galeria Casa Grande – Goiânia/GO
1998 – Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira – Goiânia/GO
2001 – Galeria Santa Fé – Goiânia/GO
2008 – Museu de Arte de Goiânia – Goiânia/GO

as principais coletivas de que participou:

1973 – I Salão Global da Primavera – Brasília/DF
1973 – I Coletiva de Artistas Goianos – LBP Galeria de Arte – Goiânia/GO
1974 – IX Bienal de São Paulo – São Paulo/SP
1975 – Galeria Casa Grande – Goiânia/GO
1975 – II Salão Nacional de Artes Plásticas da CAIXEGO – Goiânia/GO
1976 – Salão Nacional do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro/RJ
1976 – Noite de Artes no Palácio do Governo do Estado de Goiás – Goiânia/GO
1977 – IV Salão Nacional de Artes Plásticas da CAIXEGO – Goiânia/GO
1977 – Coletiva de Cartoons – Galeria Casa Grande – Goiânia/GO
1977 – II Semana de Arte do Ateliê Vanda Pinheiro – Goiânia/GO
1979 – Salão Nacional de Arte Moderna – Rio de Janeiro/RJ
1979 – Projeto Arco-Iris da FUNARTE – Rio de Janeiro, Vitória, Belém
1981 – III Mostra de Desenho Brasileiro – Curitiba/PR
1983 – Salão Negro do Senado Federal – Brasília/DF
1983 – Banco Central – Brasília/DF
1983 – Galeria Contemporânea – Brasília/DF
1985 – Salão Marrom do Hotel Bandeirantes – Goiânia/GO
1986 – Arte Erótica – Salão Marrom do Hotel Bandeirantes – Goiânia/GO
1986 – Galeria Contemporânea – Brasília/GO
1987 – Homenagem a Frei Nazareno Confaloni – Goiânia/GO
1987 – Grandes Nomes da Cultura Goiana – Galeria Ateliê 104 – Goiânia/GO
1988 – Auto retrato – Multiarte Galeria – Goiânia/GO
1988 – I Bienal de Artes Plásticas de Goiás
1989 – Achados e Perdidos – Multiarte Galeria – Goiânia/GO
1989 – Feira de Dijon – Dijon/FR
2001 – Mega Exposição de Pintura e Escultura – Galeria Santa Fé – Goiânia/GO

os prêmios recebidos foram:

1973 – Prêmio Aquisição no I Salão Global de Primavera – Brasília/DF
1975 – Prêmio de Aquisição para Artista Goiano no II Salão Nacional de Artes
Plásticas da CAIXEGO – Goiânia/GO
1976 - Prêmio de Aquisição para Artista Goiano no III Salão Nacional de Artes
Plásticas da CAIXEGO – Goiânia/GO
1977 - Prêmio de Aquisição para Artista Goiano no IV Salão Nacional de Artes
Plásticas da CAIXEGO – Goiânia/GO
1977 – Prêmio de Aquisição na I Semana de Inverno de Paraúna/GO
1981 – Prêmio de Aquisição na III Mostra de Desenho Brasileiro – Curitiba/PR

dois albuns de gravuras com seus trabalhos, foram editados, em fins da década de 1970:

1978 – Álbum de Gravura em Metal: Igrejas de Goiás
1979 – Álbum de Gravuras: O Clã

A exposição atual, traz uma série de pinturas em acrílico sobre tela, mostrando o resultado dos estudos que Roos vem realizando desde sua última exposição, em 2008, no Museu de Artes de Goiânia.


Fim de tarde, AST de 40x50, que faz parte da atual exposição.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

mais fotos antigas do centro de Goiânia


Foi farta a documentação do processo de crescimento da cidade de Goiânia, no decorrer das décadas de 1930, 1940 e 1950. Para isso foi de grande importância o trabalho de fotógrafos como Bilemgian, Feichtenberger, Silva, Berto e estúdios como A Fotográfica, entre outros. Exemplo disso é a seqüência de fotos que mostram, ao longo desse período, a evolução de uma das principais vias da cidade: a Avenida Goiás.

A primeira dessas fotos mostra o Grande Hotel (primeiro a ser construído na cidade), com a avenida ainda sem pavimentação e tendo vazio, todo o espaço existente entre esse edifício e as construções oficiais da Praça Cívica, imagem assinada pelo Foto Silva ;


Na segunda imagem, um registro do estúdio A Fotográfica, mostrando o jardim central da avenida, com a torre do relógio ao fundo. Aparecem também a arborização e os postes de iluminação pública, à época já utilizando a fiação subterrânea;


A terceira fotografia (também de autoria de A Fotográfica), em sentido contrário à anterior, mostra a avenida no sentido Sul-Norte. Aqui é possível ver o Grande Hotel (à direita), e ainda todo o espaço desocupado entre ele a Praça Cívica;


A última imagem, também assinada pelo estúdio A Fotográfica, mostra a primeira agência do Banco do Brasil na cidade.
Excetuando a primeira imagem, situada nos momentos iniciais de implantação da cidade, todas as outras destacam bem a intensa arborização urbana, que se constituiu em uma inovação no estado, com a construção da nova capital. Até esse momento, nenhuma outra cidade no estado havia apresentado esse tipo de preocupação, existindo mesmo alguns núcleos em que a massa de vegetação ficava restrita aos quintais.

domingo, 13 de dezembro de 2009

José Amaral Neddermeyer e Sociedade Bíblica Americana

Instalada no Brasil desde o ano de 1877, a Sociedade Bíblica Americana, ao completar cem anos de existência considerou de grande importância para seus trabalhos em território brasileiro, a construção de uma sede própria, que deveria, segundo seus representantes no país, ser construída na capital federal, cidade do Rio de Janeiro.
De acordo com material publicitário da época, a direção geral da Sociedade autorizou a compra de um terreno, e, para a construção foi organizado um concurso de projetos, sendo escolhido pela comissão julgadora organizada pela Prefeitura do Distrito Federal, aquele apresentado por José Amaral Neddermeyer. Ainda segundo o material publicitário da Sociedade Bíblica,

Por uma circumstancia especial foi adquirido um lote de 19 metros de frente com 17 metros de fundos sito à Rua VII, nos terrenos da Esplanada do Castello. A escriptura da compra foi assignada aos 3 de julho de 1931. realizou-se a cerimônia de abrir a terra para iniciar a obra da construcção do edifício aos 16 de fevereiro de 1932. em 11 de janeiro de 1933 a Companhia constructora entregou o edifício com o respectivo “habite-se” das autoridades municipaes e em 16 de fevereiro, justamente o primeiro anniversário da cerimônia do início da obra, realizou-se a inauguração official.

Apesar de apresentar uma série de referências ecléticas – notadamente vinculadas à decoração neogótica – e da informação do material publicitário dizendo ser um projeto de estilo gótico, são claras as linhas e tendências modernas expressas pelo projeto ganhador do concurso. Começam a surgir nos projetos de Neddermeyer, os elementos arquitetônicos próprios do Art Déco que vão marcar a quase que totalidade de sua produção após sua transferência para a capital de Goiás, já na segunda metade da década de 1930. Tais elementos comparecem nos dois estudos selecionados por ele para o concurso, apesar de só haver apresentado um deles.

o edifíco em construção mostrando seu entorno ainda desocupado.

As linhas retas, o equilíbrio de formas, o escalonamento de volumes e jogo entre cheio e vazio indicam as novas preocupações que começam a instigar o arquiteto no desenvolvimento de sua obra. Não é ainda um projeto desenvolvido dentro dos conceitos próprios dessa modernidade que começa a se impor, mas fica claro o interesse do arquiteto por tais estilemas, principalmente quando se observa a forma como foram elaborados os estudos – não apresentados – para a fachada principal, assim como para os detalhes de vidros, ferragem artística e relevo em massa apostos ao parapeito superior do edifício.

detalhe da fachada, onde ainda se interpõem elementos ecléticos e art déco

modelo de luminária desenvolvido para o hall de entrada

A fachada posterior, organizada em dois blocos, e onde os elementos decorativos são menos explícitos, o caráter moderno se faz ainda mais presente.
Provavelmente, por exigência da Sociedade Bíblica, alguns elementos decorativos de caráter simbólico-religioso foram aplicados na fachada do edifício. De acordo com o material publicitário publicado à época,

Na parte mais alta há um emblema que fica iluminado á noite e póde ser visto de longe. Mais abaixo vê-se um livro aberto, representando os dez mandamentos. Vem depois o sinete, cuja forma redonda representa o globo terrestre; a Bíblia aberta que se vê no meio traz os dizeres: “Examinae as Escripturas”: a lâmpada significa que este livro é a luz do mundo. Vê-se depois os quatro symbolos escolhidos da arte religiosa histórica, que são, da esquerda para a direita: 1°) um homem com a Bíblia aberta na mão, representando o Apostolo São Matheus, 2°) um leão representando o Apóstolo São Marcos, 3°) um touro, representando o Apostolo São Lucas e 4°) uma águia, representando o Apostolo São João,

O que, no geral dá o caráter neogótico com que se apresenta a decoração encontrada na fachada principal do edifício.
O que de percebe diferenciando os dois estudos elaborados por Neddermeyer é o fato de aparecerem no segundo, o que concorreu e ganhou o concurso, a aplicação de elementos decorativos de caráter historicista, com o uso de arco coroando a porta principal de acesso, além da colocação de luminárias de desenho estilizado compondo a moldura dessa mesma porta, o que não aparece no primeiro estudo, de caráter mais moderno.
O vestíbulo apresenta uma série de arcos semi-ogivais com detalhes decorativos reproduzindo elementos utilizados no desenho das luminárias, sendo estas, em conjunto com as encontradas na parte externa do edifício, desenhadas e detalhadas como parte integrante do projeto.

projeto apresentado por Rafael Galvão.
projeto com o qual concorreu o escritório Pena Firme.

projeto apresentado por Edgar Viana.



Participaram também desse concurso os arquitetos Raphael Galvão, Pena Firme e Edgar Viana, apresentando, todos eles, projetos com características bem marcantes da arquitetura déco, sondo o de Galvão desenvolvido todo em linhas retas, com grandes aberturas horizontais, equilibradas por um conjunto de volumes retilíneos na vertical, eliminando qualquer decorativismo supérfluo.
Aparece também o projeto de Penna Firme desenvolvendo um conjunto de volumes extremamente movimentado e o de Edgar Viana empregando sacadas com linhas curvas elementos decorativos em relevo, tendendo para o que passou a ser conhecido como arquitetura marajoara, de intenso uso na década de 1930, principalmente no Rio de Janeiro.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

som de gafieira no Geppetto

Existe em Goiânia, um lugar chamado Oficina Cultural Geppetto, ótimo local onde, todo segundo fim de semana do mês é possível assistir a uma interessante programação cultural, com cerveja, sucos de frutas e uma pizza impecável.
Nessa noite de sexta para sábado, quem esteve no Geppetto, teve a oportunidade de assistir à apresentação do grupo Som de Gafieira, tocando choro e samba. Um dos melhores, se não o melhor nesse tipo de música na cidade.
De sábado para domingo será a vez do Grupo Gwaya, de contadores de história.
Vale a pena.
O ambiente é dos melhores;
A cerveja no ponto;
A pizza perfeita e;
As apresentações garantem o que temos de melhor em termos culturais.
Pena que seja só uma vez ao mês.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Vila Boa nos jornais XXIV

O jornal O Aspirante, de 01 de maio de 1931, publicou a seguinte notícia:

Legião de Outubro
(a guisa de notícia)

Goyaz não é uma nota dissonante.
Por todos os cantos do Paiz se cria a chamada “Legião de Outubro”, cujas finalidades são de todos conhecidas.
Na gloriosa terra de Tiradentes, o ardor na fundação de Legiões é imcomparavel.
Em Belo Horizonte desfilam 20.000 legionários na radiosa manã do histórico 21 de abril.
A bella Capital mineira, por si só nos offerece um exercito de legionarios e esse gesto de civismo nunca desmentido de nossos irmãos de além Paranahiba, vem mais uma vez nos mostrar a consolidação da obra redemptora da cruzada de Outubro.
Goyaz, cujos filhos são tambem patriotas, acaba de fundar sua legião. Vimos na noite do dia “Pan-Americano”, o vasto salão do Cinema Goyano repleto da fina flor da nossa sociedade.
Os goyanos, num verdadeiro gesto de civismo, abraçaram o elevado ideal dos grandes factores e defensores da Republica nova.
A mulher goyana la se achou tambem em peso e, como filhas de Sparta, lançou seu nome na lista dos legionarios.
Em nosso meio rarissimo é o lar que não conte algum legionario.
Como brasileiro, genuino goyano, sentimo-nos orgulhoso de nossa terra amada.