domingo, 2 de agosto de 2009

patrimônio alterado I


Vila Boa, a cidade de Goiás, tem sua história urbana e arquitetônica iniciada nas primeiras décadas do século XVIII, quando foram construídas suas primeiras edificações residenciais, religiosas e oficiais, representando o padrão construtivo da época, ou seja, utilizando as técnicas e as características trazidas pelos portugueses para sua colônia na América. Com o passar dos anos, mais especificamente na segunda metade do século XIX, uma série de modificações foram feitas, em especial nos edifícios públicos, com a aplicação de elementos decorativos de caráter neoclássico em suas fachadas. Tais modificações, vistas à época como uma alteração modernizante, provocaram o uso desses elementos também em fachadas de edifícios residenciais, por conta e obra de seus proprietários. Remanescentes desse momento, podem ser encontrados na fachada do Palácio Conde dos Arcos, no edifício onde funcionou o Senado Estadual e duas residências na rua da Fundição.
A década de 1920 trouxe novos ares modernizantes com o uso de elementos ecléticos, inicialmente nos edifícios de uso público e posteriormente nos residenciais, como já havia acontecido com o neoclássico. Posteriormente, já na década de 1960, foi a vez de aparecerem na cidade, edifícios e elementos representativos da arquitetura modernista.
De caráter eclético, temos ainda hoje a Casa da Fundição, o Mercado Municipal, o coreto do Largo do Palácio e uma série de residências espalhadas pela cidade. Modernista, temos o colégio Alcide Jubé, como melhor exemplo. Pode-se dizer que, dentro do possível e das condições locais, um passeio pela cidade proporciona uma boa aula sobre a evolução da arquitetura brasileira ao longo desses séculos.
Dos edifícios residências de caráter eclético, um dos melhores exemplos era aquele existente entre o Teatro S. Joaquim e o Hotel Municipal (atual Hotel Casa da Ponte), que conservou suas características originais até a grande enchente de 2001, quando teve destruída sua parede lateral.


Era um edifício bem proporcionado, com uma torre na esquina, dois grandes arcos na fachada, correspondendo ao acesso e à sala principal, além de um trecho de parede elaborado em pedra decorativa, subindo até acima do telhado, criando nesse ponto, uma pequena platibanda. Destacava-se em sua fachada, a composição conseguida com as aberturas, além do jogo de caimentos do telhado.
No entanto, após a enchente, que provocou sérios estragos em toda a cidade, surgiu, não se sabe da cabeça de quem, a idéia de fazer com que vários dos edifícios atingidos e que não possuíam características “coloniais”, fossem reformados no sentido de assumirem tais elementos de composição. E essa residência foi uma das que passaram por tais modificações, abandonando suas características originais, para assumir outras com as quais nunca teve ligação alguma, a não ser de vizinhança.


O que temos hoje no local é alguma coisa de muito estranho com aberturas imitando o modelo colonial, mas que não apresentam as preocupações de composição, proporção, e espaçamento, tanto na horizontal quanto na vertical. Destoa ainda o fato de haverem alterado toda a organização da fachada sem se preocuparem em adequar o desenho do telhado à nova composição.
Espera-se que essa moda não traga seguidores...

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